Segundo o Sindicato dos Bancários, 172 agências foram paralisadas ontem no Ceará
| Ontem, agências em
que havia atendimento presencial chegavam a ter fila do lado de fora. Nas demais, só caixa eletrônico |
No primeiro dia da greve por tempo indeterminado
dos bancários, ontem, 172 agências foram paralisadas no Ceará segundo o
sindicato da categoria. De acordo com o Banco Central, há 504 agências no
Estado. Nas unidades que se mantiveram abertas, muitas filas.
Uma das agências de movimento intenso e filas
grandes pela manhã foi a do Itaú da Avenida Abolição. O mecânico João Marques
já tinha ido a outras três agências para resolver problemas com seu cartão de
crédito e realizar pagamentos. Todas fechadas. “A gente acaba atrasando o dia
todo, mas o jeito é esperar”, diz ele. Já no Itaú da Avenida Santos Dumont, o
funcionamento era tranquilo, apesar dos cartazes indicativos de greve. De
acordo com um funcionário, as atividades continuariam normais até a chegada do
sindicato.
Na Caixa Econômica da Avenida Oliveira Paiva, a
empresária Mayara Costa, tentou fazer depósito no caixa eletrônico. Não
conseguiu. “Eles não estão aceitando depósito em cheque. Tentei depositar no
caixa e não deu certo. Aí a funcionária da agência disse que só podia na
lotérica e apenas em dinheiro. Isso é um absurdo! Quer dizer que não vou poder
aceitar pagamento de cliente em cheque durante a greve?”.
No HSBC da Avenida Major Facundo, por volta de 11h,
as atividades já estavam paralisadas. Jhonny Wickerson, terceirizado pelo
sindicato para orientar os usuários, considerou o movimento tranquilo. Na mesma
agência, o contador André Assunção ficou preocupado ao se deparar com a
situação. Ele precisava entregar a documentação de um cliente para a gerente da
agência. “Com essa greve, vou esperar e torcer para que o cliente compreenda”.
O técnico em telecomunicação Roberto Soares,
operado do joelho, lamentou ter que se deslocar novamente para encontrar uma
agência que estivesse funcionando. “A gente se esforça para realizar tudo em
dia, mas com essa greve dos bancários vai ser difícil”, conta.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do
Ceará (SEEB/CE), Carlos Eduardo Bezerra, não há garantia de agências
funcionando. “O que permanece em funcionamento, por lei, é o serviço de
compensação bancária”.
Conforme o Sindicato, a categoria quer reajuste
salarial de 16% (reposição da inflação mais 5,7% de aumento real), melhores
condições de trabalho, fim das metas abusivas e do assédio moral, mais
contratações, fim das demissões e mais segurança.
Os bancos propõem um abono imediato de R$ 2.500 a
todos os bancários, além de reajuste salarial de 5,5%. Outras demandas estão
sendo avaliadas, segundo a Federação Nacional dos Bancos.
Fonte: O POVO
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