Ação inédita contra o líder do Governo Dilma enfraquece o Executivo no Senado, Casa onde mantinha certo controle. Gravação mostrou tentativa de Delcídio de atrapalhar investigações
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| Delcídio do Amaral |
O dia de ontem mal
amanhecera quando parlamentares começaram a receber a notícia da prisão de um
colega em exercício. Pego em flagrante segundo o o Supremo Tribunal Federal
(STF), o líder do Governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), foi o primeiro
da Casa a ser encarcerado desde o fim do regime militar. O Planalto já
fragilizado pelos desentendimentos políticos com o Congresso perde um
articulador e tem sua imagem comprometida, nesta nova fase da Operação Lava
Jato.
Para o cientista político da
Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, a prisão inédita de Delcídio
deverá ter implicações sérias para o Governo. “O PT já está começando a
abandoná-lo. Se ele resolver abrir a boca, a casa cai”, afirma.
O motivo oficial da detenção do
petista foi a tentativa de obstrução de Justiça, através de um plano de fuga
para o delator e ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. De acordo com
gravação de áudio feita por Bernardo Cerveró, filho do réu, o plano era que
Nestor deixasse o País antes de participar de delação premiada. Por suposto, as
declarações de Cerveró poderiam prejudicar Delcídio. “Se Cerveró conseguir
comprovar tudo o que contar, isso será más notícias para Dilma e o PT”, avalia
Fleischer.
No entanto, o presidente nacional do
PT, Rui Falcão, já afastou a figura de Delcídio do partido. “Nenhuma das
tratativas atribuídas ao senador têm qualquer relação com sua atividade
partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado”, afirma, em sua rede
social. Ele informou ainda que a cúpula petista irá se reunir para decidir o
futuro do senador dentro da sigla.
Parlamento
Até o momento, o
Senado havia sido a Casa de suporte de Dilma, enquanto a Câmara tem votado
contra questões governistas. Apesar do constrangimento causado pela prisão de
um colega com mandato, a maioria dos senadores, inclusive a oposição, elogiou o
modo como Delcídio tratava as questões de Governo. Colegas evitaram comentar o
assunto com a imprensa.
Agora, os rumos das alianças no
Senado serão influenciados pelo substituto de Delcídio. Na próxima semana,
assume o cargo um dos quatro vice-líderes: Hélio José (PSD-DF), Paulo Rocha
(PT-PA), Wellington Fagundes (PR-MT) e Telmário Mota (PDT-RR).
O líder do Governo na Câmara,
deputado José Guimarães, tentou minimizar os efeitos da prisão do colega de
partido. “Nossa preocupação é com a sessão do Congresso. Temos enorme
preocupação de votar PLN 05 (que revisa a meta fiscal de 2015)”, declara. Ele
se disse “abalado”, mas destacou que o Governo não pode parar por conta do
ocorrido.
Ao fim do dia, os senadores decidiram
manter a detenção de Delcídio, autorizada pelo STF. Na operação da Polícia
Federal de ontem, também foram presos o banqueiro André Esteves, que
supostamente ofereceria R$ 4 milhões para viabilizar a fuga de Cerveró, o chefe
de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e o advogado da família Cerveró, Edson
Ribeiro.
Personagens
André Esteves
Banqueiro
Dono do Banco BTG Pactual teria
oferecido R$ 4 milhões para o fuga de Cerveró.
Nestor Cerveró
Réu na Lava Jato
Preso desde janeiro, ex-diretor da
Petrobras fez acordo de delação premiada.
Bernardo Cerveró
Filho de Nestor
Foi o responsável pela gravação de
áudio que deflagrou o plano de fuga.
Diogo Ferreira
Chefe de gabinete
Na gravação, ele se comprometia a
arranjar encontros com ministros.
Edson Ribeiro
Advogado dos Cerveró
Ajudou a arquitetar plano de fuga de
Cerveró, conforme áudio gravado por Bernardo.
SAIBA MAIS
Delcídio e os ministros
No áudio usado como prova contra Delcídio do Amaral (PT-MS), consta que, por diversas vezes, ele insinuou que teria poder de influência nas decisões dos ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Luiz Edson Fachin e Gilmar Mendes.
Ao confirmarem a prisão preventiva do líder do governo no Senado, ministros sustentaram que a imunidade parlamentar não representa impunidade e, em tom de aviso, apontaram que os criminosos não passarão sobre a Justiça. “O crime não vencerá a Justiça, aviso aos navegantes dessas águas turvas. Não passarão sobre o Supremo, não passarão sobre a Constituição do Brasil”, diz a ministra Carmen Lúcia.
Fonte: O POVO

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